25 maio 2008

Bispos latino-americanos entregam documento social a Angela Merkel

Uma delegação de bispos latino-americanos entregou na quinta-feira à chanceler alemã, Angela Merkel, a denominada «Carta dos bispos da América Latina e do Caribe», redigida no marco do V Encontro de Chefes de Estado e de Governo da América Latina, do Caribe e da União Européia (ALC-EU), realizado em Lima.
Na carta, os bispos latino-americanos deixam clara sua preocupação pelas condições políticas, sociais e econômicas do continente e propõem ações concretas a curto e médio prazo.
O presidente do CELAM e o da Cáritas Internacional, respectivamente, Dom Raymundo Damasceno e o cardeal Oscar Rodriguez Madariaga, SDB, acompanhados pelo presidente da Conferência Episcopal Peruana, Dom Miguel Cabrejos, OFM, por Dom Pedro Barreto, S.J., presidente da Comissão Episcopal de Ação Social do Peru, e por Josef Sayer, diretor geral da obra episcopal alemã, Misereor, reuniram-se durante de meia hora com a alta funcionária européia para dialogar abertamente sobre os pontos que, a juízo da Igreja Latino-Americana, devem ser levados em consideração na criação dos marcos de referência dos acordos entre os países.
Os pontos mais sobressalentes do documento, que tem também a assinatura do diretor de Misereor, enfatizam que os acordos a serem aprovados entre os mandatários não devem aumentar mais as brechas sociais e econômicas dos povos nem afetar o meio ambiente. Estas recomendações foram ressaltadas no dia seguinte, na cerimônia de inauguração, o que suscitou a esperança de que as recomendações da Igreja seriam levadas em conta.
Os bispos expressam sua preocupação pela brecha crescente entre pobres e ricos em toda a América Latina, situação que põem em perigo a paz social: «Não somente a coesão social está em perigo, mas também a estabilidade política dos sistemas democráticos em muitos países do continente» diz a carta.
A situação atual na América Latina está marcada por problemas ambientais, corrupção, insegurança alimentar, desemprego e migração para os Estados Unidos e a União Européia. Todos estes fatores agravam ainda mais a pobreza e dificultam sua erradicação.
Os principais temas da reunião são: energia, meio ambiente, mudança climática e luta contra a pobreza. Justamente estes são também os temas abordados pelos bispos. «Conscientes que compartilhamos os mesmos valores e princípios éticos, propomos uma agenda de trabalho co-responsável na busca de um modelo de desenvolvimento alternativo, integral e solidário».
Os bispos se pronunciam a favor da subordinação do mercado a um núcleo de referência ético-cultural; o comércio internacional, dignificação do emprego, direitos dos migrantes e refugiados, políticas sociais coerentes e sustentáveis.
Propõem também a implementação de políticas de cooperação internacional que favoreçam a redução da desigualdade, garantam a paz social e que levem a erradicar as causas da pobreza, assim como a introdução de uma economia ecológica cuja prioridade seja a defesa do eco-sistema com o cumprimento de padrões internacionais vigentes. Isto significa modificações substanciais nos esquemas de produção, de investimento, comércio e consumo.
E uma maior participação da sociedade civil nos processos democráticos para acompanhar de forma crítica e construtiva a política nos aspectos sociais.
A V ALC-EU, realizada de 15 a 17 de maio em Lima, Peru, encerrou com a «Declaração de Lima», na qual os governantes se comprometeram a realizar ações concretas para reduzir a pobreza, a desigualdade e a exclusão, como o caso do analfabetismo, além de implementar políticas meio ambientais, que reduzam o impacto da mudança climática, assim como diversificar as fontes de energia na produção. Isso deve traduzir-se na diminuição do uso dos recursos naturais para a indústria dos bio-combustíveis e do carbono no consumo de energia.
Na reunião ALC-UE participaram 27 delegações européias e 33 delegações dos países da América Latina e do Caribe.

Fonte: ZENIT.org

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